Meditação funciona? Spoiler: Sim!

Meditação

Meditação é uma pseudo-ciência? Seria o equivalente a práticas como homeopatia, reiki ou qualquer uma dessas terapias quânticas tão comuns nos dias de hoje? Ou melhor, uma pergunta direta: Meditação funciona? A resposta é clara: Meditação não é uma pseudo-ciência e sim, meditação funciona. Para explicar isso melhor precisamos primeiro entender direito no que consiste a meditação e porque sabemos hoje que ela funciona.

Ainda que você não pratique, deve ter uma ideia do que significa meditação, certo? É ficar lá de olhos fechados com as pernas cruzadas fazendo um barulho estranho do tipo “ummmmmmm”, correto? Não, não é bem assim. Primeiramente existem vários tipos de meditações, vinda de várias tradições meditativas e, de alguma forma, religiosas. Religiões e práticas como o hinduísmo e o budismo incluem a meditação como parte de suas fundações, assim como a reza faz parte das fundações da religião católica. Porém a meditação em si é hoje estudada a parte de qualquer corrente religiosa, teológica ou filosófica que possa estar atrelada. Ou seja: Meditar é meditar, sem implicações outras qualquer a nível de religiosidade.

Nesse ponto a prática meditativa mais em voga atualmente chama-se mindfulness, também conhecida como atenção plena no Brasil. Hoje é possível encontrar diversos livros e cursos a respeito, assim como a atenção plena pode ser utilizada em programas de redução de stress e ansiedade. E é exatamente aí que sabemos que a meditação funciona. É possível comparar, estatisticamente, o nível de depressão e ansiedade entre dois grupos de pessoas: Um que pratica a atenção plena constantemente e outro que não. E é neste tipo de comparação que os estudiosos podem dizer que pessoas que meditam tem menos propensão a cair em depressão ou sentir sintomas de ansiedade. Logo, se você quer ter uma qualidade de vida melhor, a meditação é um ótimo remédio.

Mas o que é a meditação dita mindfulness? Basicamente é uma prática onde você foca sua atenção em um determinado ato do momento presente e tenta estabilizar a mente neste ato. Talvez seja mais fácil explicar por um exemplo. Uma das formas mais fáceis de meditar é prestar atenção na própria respiração, sentindo o ar que entra e sai de seu nariz, ou sentindo o abdômen contrair e expandir. Certamente durante esse processo seu cérebro irá querer divagar sobre qualquer assunto, pensando em problemas a resolver ou fazendo planos para o futuro. Quando isso acontecer, tudo o que você deve fazer é notar que seu cérebro divagou e, calmamente, retornar a atenção para sua respiração. Durante uma prática de quinze minutos seu cérebro irá divagar centenas de vezes, o que é normal. Apenas note que o cérebro perdeu a atenção e retorne, sempre com leveza e sem irritação, a atenção à respiração.

Parece simples, não? Mas é simples! É extremamente simples. O maior problema da meditação é encontrar uma rotina para meditar todo dia, de preferência duas vezes por dia, por um período de ao menos oito semanas. Com o passar dos meses você deve se sentir menos ansioso e menos propenso a irritabilidade. Meditar apenas de vez em quando pode até ajudar em um momento específico, mas não servirá de muito a médio e longo prazo.

Mas então vem a pergunta crucial. Por que a meditação funciona? Como uma atividade tão simples pode deixar alguém menos ansioso? Essa pergunta não tem uma resposta definitiva, mas a neurociência tem algumas respostas. Existe, no cérebro, uma rede neuronal chamada de Default Mode Network (DMN), que é um conjunto de regiões cerebrais responsável pelo que conhecemos como divagação, ou sonhar acordado. Essa rede encontra-se em atividade sempre que o cérebro está sem realizar tarefas difíceis. Como o próprio nome diz, é como se fosse uma rede padrão, uma rede que está sempre ligada quando nada mais está funcionando. Ou seja, se seu cérebro não está ocupado resolvendo um problema lógico complicado, ou uma tarefa manual difícil, a DMN considera que ele está vago para divagar, e então começa a “pensar sobre a vida”. Como na maior parte do tempo nosso cérebro não está fazendo nada de muito importante, na maior parte do tempo estamos simplesmente divagando sobre o passado, o presente e o futuro.

Mas pensar muito nos deixa ansiosos! Vivemos em uma época cheia de problemas e coisas novas acontecendo o tempo todo, e nosso cérebro não está preparado para isso. Ele é muito bom em reconhecer perigo e buscar por comida, mas não é muito bom em ficar imaginando o que acontecerá quando o aquecimento global vier com tudo. Por essas e por outras, deixar o cérebro divagado muito não é lá muito saudável. E aí entra a meditação! Quando meditamos a DMN diminui sua atividade, porque fazemos o cérebro se ocupar concentrando-se em um ato específico, como a respiração. A ideia dos cientistas é que, quanto mais meditamos, mais diminuímos a atividade da DMN, e menos nos preocupamos com o futuro.

Mas isso é ciência? Sim! Porque podemos fazer ressonância magnética em meditadores experientes e, quando fazemos isso, o que vemos é que realmente a DMN fica bastante “quieta” durante a meditação. Para alguns meditadores realmente experientes, a DMN chega a ficar mais quieta mesmo fora do processo da meditação. Isso tem a ver com neuroplasticidade, uma propriedade do cérebro de se modificar com o tempo. Mas isso já é história para um outro post. O que quis passar com esse post é que meditação é sim ciência, e a ciência diz que funciona. Ao contrário da homeopatia, astrologia, leitura de borra de café, cura quântica, etc, etc, etc.

Author: João Paulo Morais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *