Por que a semana tem sete dias?

Esperar o fim de semana pode parecer insuportável; são seis dias inteiros entre eles! Ter sete dias em uma semana é nosso costume desde sempre e, portanto, as pessoas dificilmente param para se perguntar o motivo.

Na maioria das vezes, o cálculo do calendário deve-se aos movimentos dos planetas, da lua e das estrelas. Nosso dia é igual a uma rotação completa da Terra em torno de seu eixo. Nosso ano é uma revolução da Terra em torno do Sol, que leva 365 dias e 1/4, é por isso que adicionamos um dia extra em fevereiro a cada quatro anos, no chamado ano bissexto.

Mas a semana e o mês são um pouco mais complicados. As fases da Lua não coincidem exatamente com o calendário solar; o ciclo da Lua tem 27 dias e sete horas de duração, de forma que há 13 fases da Lua em cada ano solar.

Algumas das civilizações mais antigas observaram o cosmos e registraram os movimentos dos planetas, o Sol e a Lua. Os babilônios, que viviam no Iraque moderno, eram observadores astutos e intérpretes dos céus, e é em grande parte graças a eles que nossas semanas duram sete dias.

A razão pela qual eles adotaram o número sete foi que eles observaram sete corpos celestes – o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Portanto, esse número tinha um significado particular para eles.

Outras civilizações escolheram outros números – como os egípcios, cuja semana durava 10 dias; ou os romanos, cuja semana durava oito.

Foram os babilônios que dividiram seus meses lunares em semanas de sete dias, com o último dia da semana tendo um significado religioso particular. O mês de 28 dias, ou um ciclo completo da Lua, é um período de tempo um pouco grande demais para ser gerenciado com eficiência, de forma que os babilônios dividiram seus meses em quatro partes iguais de sete.

O número sete não é especialmente adequado para coincidir com o ano solar, ou mesmo com os meses, o que gerou algumas inconsistências.

No entanto, os babilônios eram uma cultura tão dominante no Oriente Próximo, especialmente nos séculos VI e VII a.C., que essa e muitas de suas outras noções de tempo – como uma hora de 60 minutos – persistiram.

A semana de sete dias se espalhou por todo o Oriente Próximo: foi adotado pelos judeus, que haviam sido cativos dos babilônios no auge do poder dessa civilização. Outras culturas nas áreas circundantes aderiram à semana de sete dias, incluindo o império persa e os gregos.

Séculos depois, quando Alexandre, o Grande, começou a espalhar a cultura grega por todo o Oriente Próximo até a Índia, o conceito da semana de sete dias também se espalhou. Os estudiosos acham que talvez a Índia tenha introduzido mais tarde a semana de sete dias na China.

Finalmente, quando os romanos começaram a conquistar o território influenciado por Alexandre, o Grande, eles também mudaram para a semana de sete dias. Foi o imperador Constantino que decretou que a semana de sete dias era a semana romana oficial e fez do domingo um feriado público em 321 d.C.

O fim de semana não foi adotado até os tempos modernos do século XX. Embora tenha havido algumas tentativas recentes de mudar a semana de sete dias, existe há tanto tempo que parece que está aí para ficar.


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por Kristin Heineman, professora de história na Colorado State University.

Traduzido por João Paulo Morais

O artigo original pode ser encontrado no site theconversation.com. Este texto é livre para republicação, desde que citando fonte e autor.

Fotografia por Estée Janssens via Unsplash

Author: João Paulo Morais

Bacharel em Astronomia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre e doutor em física pela Universidade Federal da Paraíba, com estágio de doutoramento na Jacobs University, Bremen.

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